Eu sempre gostei de pássaros.
Na verdade quase tudo que voa leve...Borboletas, libélulas, bolinhas de sabão, penas ao vento, fumaça de incenso, balões de gás hélio, mas especialmente pássaros.
Em um aniversário meu ganhei um canário do meu pai, batizei-o de Pitchuí, em homenagem a um passarinho engraçado que se chamava assim em um filme que meu tio mandou dos EUA quando eu era bem criança.
O filme era todo em inglês, eu não entendia uma palavra sequer, mas assistia sem parar e chorava toda vez que os bichinhos do filme se perdiam de suas mães.
Cantava pra Pitchuí ouvir a música de passarinho que tinha na novela Carrossel todos os dias :
"...eu ganhei um passarinho lindo, todo dia ele canta pra me acordar, o seu canto é tão bonito, alegre, gosto tanto de você me amiguinho.
Dá vontade de te ver voar batendo as asas lá pertinho do céu, mas tenho medo de você não voltar e quem é que vai cuidar de você meu passarinho..."
Eu gostava de ouví-lo e olhá-lo, observava cada micro movimento que fazia e sempre tentava acariciá-lo dentro da gaiola e mesmo muitas vezes com de medo de ser bicada.
Por vezes me sentia tentada em soltá-lo pela casa, ou deixa-lo partir mas me diziam que ele havia nascido na gaiola e não sobreviveria fora dela.
Certa vez cheguei da escola e Pitchuí estava morto, percebi que sua patinha havia ficado presa em um pedaço da gaiola; aquilo me doeu bastante e chorei cantando a música que ele costumava ouvir de mim, prometi a mim mesma que nunca mais voltaria a ter um pássaro.
Cresci e ainda amo passarinhos, descobri que algumas vezes me identifico com eles, que gostam de voar, que as vezes caem do ninho, que cantarolam quando felizes, cantarolam quando tristes, e que vez por outra ouvem que é o melhor para sua sobrevivência é manter-se na gaiola.
Imagino que Pitchuí machucou sua pata em busca de liberdade, e por não ter força e habilidade suficiente para se soltar e/ou abrir a porta acabou por morrer.
Olho para os meus pés e percebo marcas semelhantes, assim como Pitchuí sei que mesmo que tudo ao redor me diga que nasci na gaiola e não sobreviveria fora dela, algo está errado, as minhas asas se sentem inúteis nesse lugar apertado e é preciso partir.
Por isso rogo aos céus que meu Dono venha me libertar, pois tem força e habilidades suficientes para abrir a porta que minhas frágeis asas e cansados pés não conseguem abrir e além de poder libertar-me Ele não tem medo de me deixar partir porque sabe mais do que ninguém foi Ele mesmo que me criou para voar.
E diferente do que eu cantava pra Pitchuí, ele canta:
"dá vontade de te ver voar, batendo as asas lá pertinho do céu, não tenho medo de você não voltar pois sou Eu quem vai cuidar de você meu passarinho..."
Então me rendo perante Ele que com seu amor em tempo oportuno traz a liberdade e abre as asas sobre mim.

Tambémm amo passarinho...já te disse...passarinhos são cachorrinhos com asas.
ResponderExcluirE essa liberdade tão sonhada...tenho marcas pelo corpo nao só nos pés por tentar me libertar de uma gaiola...mas me transferiram para uma gaiola um pouco maior e ainda assim desejo ter o céu infinito como casa!!! Ainda bem que meu Dono é bom!! tudo Verdade!
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